Neil Young lança álbum, prepara turnê, faz livro e ganha filme

LOS ANGELES, 6 Jun (Reuters) – Aos 66 anos, quando muitos colegas já reduziram o ritmo ou saíram de cena, Neil Young está mais ocupado do que nunca.

Na terça-feira, o cantor e compositor canadense lançou um novo álbum, “Americana”, em que faz uma leitura pessoal de clássicos da música folk. É o primeiro álbum de Young e sua banda Crazy Horse em quase nove anos, e em agosto ele dará origem a uma turnê.

Ainda neste mês, o estúdio Sony Pictures Classics lança “Neil Young Journeys”, documentário sobre o artista dirigido pelo premiado cineasta Jonathan Demme, e que inclui imagens das duas últimas noites na recente turnê mundial solo de Young.

E há ainda seu novo livro, “Waging Heavy Peace”, que sai no segundo semestre. Young recentemente falou à Reuters sobre todas essas atividades.

P.: “Americana” é uma coleção de canções folclóricas norte-americanas, de “Clementine” e “Oh Susannah” a “This Land Is Your Land”. Como você selecionou o material?

R.: (Risos) Minha abordagem básica foi: só precisávamos conseguir tocá-las.

P.: Ok, digamos assim, o que uniu todas essas diferentes canções?

R.: Elas não são o que você pensa que são. Há muito mais nelas do que a forma como as ouvi serem feitas pela primeira vez por aqueles felizes cantores folclóricos. Eles deixaram de fora muitos versos originais, e as canções são muito sombrias e muito mais políticas do que aquilo. Então tentamos criar uma intensidade à altura do original, embora não tenhamos usado as mesmas melodias nem uma estrutura semelhante, exceto pelas letras. Mantivemos as cadências, mas só.

P.: Você também escreveu os textos do álbum, que são outro elemento do passado. Ninguém mais faz isso.

R.: Bom, vamos ter de novo. Eles são importantes. Fazer um álbum é uma forma de arte, e ela foi perdida por provedores de conteúdo que hoje fornecem música na mais baixa forma técnica que já houve. Estamos na maré baixa agora com a música digital, mas acho que vai melhorar.

P.: O documentário “Neil Young Journeys” é sua terceira colaboração com Jonathan Demme. Qual é o segredo dessa relação?

R.: Ele e eu nos respeitamos e trabalhamos muito bem juntos, e é muito colaborativo. Acho que é um filme muito bem concebido e executado, e tomara que continuemos fazendo as coisas juntos.

P.: No filme, você dirige por sua cidade natal falando sobre a infância. Você também tem um novo livro de memórias saindo…

R.: Não é bem um livro de memórias, ao menos não no sentido tradicional. Não é cronológico e cobre muitas áreas – do passado ao presente, então é como um diário. Mas é uma memória, e parte disso é uma projeção e fantasia. É mesmo um sonho de hippie (risos). Eu sempre gostei de escrever. Meu pai era escritor, então sempre soube a respeito de autores e da escrita, e agora é a minha vez de fazer.

As informações são do Música Uol.